Resident Evil Village

Resident Evil Village

Developer Capcom Development Division 1
Publisher Capcom
Lançamento 06/05/2021
Plataforma do Review PlayStation 5 Pro
Nota do Último Save
8,5

Resident Evil Village amplia tudo o que funcionou em RE7

A campanha de Ethan Winters continua em uma experiência maior e mais variada, com diferentes regiões, personagens marcantes e uma mistura de terror, ação e exploração. Resident Evil Village aproveita a base de seu antecessor e constrói uma aventura com identidade própria.

Resident Evil Village é a continuação direta da campanha de Ethan Winters e leva o protagonista para uma nova região, cercada por uma vila misteriosa e diferentes áreas que escondem seus próprios perigos. Mantendo a perspectiva em primeira pessoa de Resident Evil 7, o jogo combina exploração, combate, puzzles, gerenciamento de recursos e terror em uma campanha que aumenta bastante a escala da aventura.

Quando comecei Village, eu já conhecia a proposta de Resident Evil 7 e sabia o que esperar da nova direção da franquia. Mesmo assim, ficou claro rapidamente que a Capcom não queria simplesmente repetir a experiência anterior. Village mantém a base criada por RE7, mas transforma aquela estrutura em uma aventura muito mais variada, com diferentes regiões, personagens e situações.

A principal diferença que senti está justamente na escala. Enquanto RE7 tinha uma identidade muito concentrada na experiência dentro da propriedade dos Baker, Village constrói sua campanha ao redor de grandes regiões que funcionam quase como capítulos próprios. Cada uma possui seus ambientes, personagens, desafios e momentos de destaque, fazendo com que a jornada esteja constantemente mudando.

Isso funcionou muito bem para mim porque criou uma sensação de progressão muito mais constante. Conforme avanço, novas áreas aparecem, novos equipamentos são incorporados e a campanha continua apresentando situações diferentes. Eu não estava apenas interessado em descobrir como a história terminaria; queria saber qual seria o próximo lugar que Ethan iria visitar e o que encontraria nele.

Village também consegue alternar entre exploração, combate, tensão e momentos mais tranquilos sem permanecer preso durante muito tempo a uma única fórmula. É uma campanha que entende que Resident Evil pode ser várias coisas ao mesmo tempo, e foi justamente essa variedade que fez o jogo funcionar tão bem comigo.

Uma campanha construída em grandes regiões

Uma das coisas que mais gostei em Resident Evil Village é a maneira como a campanha foi organizada. O jogo apresenta diferentes regiões ao longo da jornada, e cada uma possui seus próprios ambientes, personagens e desafios. O castelo é o primeiro grande exemplo disso, combinando exploração, combate, tensão e uma ambientação muito marcante, enquanto cria aquela sensação clássica de progressão de Resident Evil, com áreas para descobrir, caminhos bloqueados e recursos espalhados pelo cenário. O mais interessante é que as regiões seguintes não simplesmente repetem essa fórmula: cada uma muda o ritmo e a maneira como interajo com o ambiente.

Essa variedade funcionou muito bem para mim. Algumas partes dão mais espaço para exploração, outras trabalham melhor a tensão e algumas colocam o combate em primeiro plano. Quando começo a me acostumar com uma região, Village me leva para outra experiência, mantendo aquela curiosidade sobre o que vou encontrar pela frente. Foi essa estrutura que fez Village manter um ritmo mais constante para mim: enquanto Resident Evil 7 teve ambientes que me marcaram muito individualmente, principalmente a propriedade dos Baker, Village conseguiu fazer da própria variedade da campanha um dos seus maiores atrativos.

Os personagens que dão identidade a cada região

Assim como a família Baker foi fundamental para a identidade de Resident Evil 7, Village consegue fazer com que cada região fique muito ligada aos personagens que Ethan encontra durante a campanha. Os principais inimigos não parecem simplesmente fazer parte de uma sequência de confrontos; cada um possui uma personalidade, uma atmosfera e uma maneira própria de interferir na jornada. Isso ajuda a fazer com que eu me lembre de cada parte da campanha não apenas pelo lugar onde ela acontece, mas também por quem estava esperando por Ethan.

Os bosses também estão entre os momentos que mais ficaram na minha memória. Os confrontos são bastante diferentes entre si, tanto pela forma como acontecem quanto pelo contexto em que estão inseridos, e isso evita que pareçam apenas variações do mesmo combate. Village entende que seus grandes inimigos precisam ter identidade própria, e essa escolha combina muito bem com a estrutura da campanha, fazendo com que cada região tenha personagens e momentos que realmente ficam marcados.

A história por trás da vila

A história foi uma das partes que mais me prenderam em Resident Evil Village. O jogo vai apresentando novas informações conforme Ethan avança, introduzindo personagens, acontecimentos e elementos do mundo aos poucos. Sem entrar nos acontecimentos que poderiam estragar a experiência, gostei de como a narrativa consegue fazer com que eu queira entender cada vez mais o que está acontecendo, sem simplesmente entregar todas as respostas de uma vez.

O timing das revelações também funciona muito bem. Em alguns momentos, eu já estava criando minhas próprias teorias e o jogo apresentava uma nova informação que mudava minha percepção sobre o que tinha acontecido até ali. Em outros, uma resposta acabava levantando novas perguntas. Essa construção fez com que a história acompanhasse muito bem a progressão da campanha, mantendo minha curiosidade até o final e mostrando que Village consegue entregar uma narrativa tão importante para a experiência quanto seus ambientes, personagens e confrontos.

A direção de arte ajuda a construir a atmosfera

Village também me chamou bastante atenção visualmente. Cada região possui uma identidade muito própria, e isso ajuda a diferenciar ainda mais os momentos da campanha. O castelo, a vila e os outros ambientes conseguem transmitir sensações diferentes, enquanto os personagens possuem designs que combinam muito bem com o papel que desempenham na história. Mesmo sendo uma sequência direta de RE7, Village consegue apresentar um mundo visualmente muito mais amplo e variado.

A trilha sonora e os efeitos de áudio também contribuem bastante para essa experiência. Os momentos de tensão sabem usar o silêncio e os sons do ambiente, enquanto as músicas ajudam a dar peso aos acontecimentos mais importantes. Não é algo que eu tenha percebido apenas como um detalhe técnico durante a campanha; áudio e direção de arte trabalham juntos para fazer cada região ter sua própria atmosfera, reforçando a sensação de que estou sempre entrando em uma parte diferente daquela aventura.

Vale o seu tempo?

Resident Evil Village entrega uma campanha muito bem construída, com diferentes regiões, personagens memoráveis e uma progressão que me manteve interessado do começo ao fim. A variedade de situações também funciona muito bem, alternando entre exploração, combate, tensão e momentos mais voltados para a narrativa sem deixar a experiência cansativa.

A história foi outro ponto que me marcou bastante. O jogo sabe apresentar novas informações no momento certo e consegue manter minha curiosidade durante toda a jornada, enquanto a direção de arte, a trilha sonora e a ambientação ajudam cada região a ter uma identidade própria. É uma campanha que consegue equilibrar terror e aventura muito bem, e foi justamente essa combinação que fez Village ser uma experiência tão marcante para mim.

Se você ainda não jogou, recomendo principalmente se procura um Resident Evil com bastante variedade e uma campanha que está constantemente apresentando algo novo. Eu também recomendo jogar Resident Evil 7 antes de Village, principalmente porque a história de Ethan continua diretamente do jogo anterior e conhecer os acontecimentos de RE7 dá muito mais contexto para os personagens e para tudo o que acontece em Village. Depois disso, é só aproveitar a jornada e descobrir o que ainda existe depois da próxima porta.

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