007 First Light é a nova aventura de James Bond desenvolvida pela IO Interactive, colocando o jogador no papel de uma versão mais jovem do agente antes de ele se tornar o 007 que conhecemos. A campanha mistura espionagem, infiltração, tiroteios, perseguições e momentos cinematográficos em uma experiência que busca transportar para os videogames a identidade dos filmes de Bond. Coincidentemente, acabei jogando justamente durante a semana em que a Sony anunciou sua campanha It Happens On PlayStation, o que tornou ainda mais interessante testar o desempenho do jogo diretamente no PS5 Pro, onde ele se consolida como uma das grandes promessas para o ecossistema do console.
Uma das coisas que mais gostei logo de início foi a construção dos personagens. Bond não está sozinho nessa jornada, e praticamente todos que passam pela campanha possuem personalidade, motivações e uma boa atuação por trás. Isso faz com que seja fácil criar uma conexão com eles e torna os acontecimentos mais interessantes mesmo quando a narrativa começa a ficar um pouco confusa no meio da campanha. Aos poucos, as peças vão se encaixando, a história ganha força novamente e o desfecho é particularmente bom.
Uma campanha que alterna espionagem e ação
A campanha de 007 First Light funciona melhor quando consegue alternar seus momentos de espionagem e ação. Existem trechos dedicados ao desenvolvimento da história, à apresentação dos personagens e à construção do universo, mas também existem capítulos que aceleram completamente o ritmo e colocam Bond em situações de combate. Essa alternância ajuda a criar a sensação de estar participando de uma aventura de 007, principalmente porque muitos capítulos terminam com acontecimentos fortes ou ganchos que me deixam querendo descobrir o que vem depois.
O problema é que nem todos esses momentos funcionam com a mesma eficiência. Alguns trechos focados no lore acabam se estendendo mais do que deveriam e deixam a campanha cansativa. A escalada na torre do Wells é um bom exemplo disso: a sequência demora para chegar ao ponto que realmente interessa e, durante aquele trecho, senti que o jogo estava ficando sonolento. Felizmente, quando a ação retorna, First Light recupera rapidamente meu interesse. Essa alternância acaba sendo uma característica marcante da campanha: algumas partes pedem paciência, mas os momentos de ação e os desfechos dos capítulos quase sempre conseguem me puxar de volta para a aventura.
O combate é o ponto alto da campanha
O combate foi, sem dúvida, a parte que mais me divertiu em 007 First Light. As armas respondem bem, existe uma boa variedade de situações e o jogo consegue fazer com que os confrontos sejam mais do que simplesmente entrar em uma sala e eliminar todos os inimigos. As mecânicas de esquiva e as diferentes possibilidades de abordagem dão mais opções durante os confrontos, e alguns desafios mais difíceis acabam exigindo que eu realmente melhorasse minha maneira de jogar.
O timing da esquiva pode ser um pouco incômodo em determinados momentos, e existem combates que parecem desnecessariamente difíceis, mas isso não chegou a estragar minha experiência. Pelo contrário, depois de entender melhor os padrões e aprender a reagir aos ataques, a sensação de finalmente superar um confronto complicado é bastante satisfatória. Quando First Light coloca Bond em situações de ação, o jogo encontra seu melhor ritmo, e foi justamente nesses momentos que mais senti que estava vivendo uma aventura do personagem.
Entre o espetáculo e os problemas técnicos
Uma das coisas que mais gostei em 007 First Light foi a forma como o jogo consegue construir momentos que realmente lembram um filme de James Bond. As músicas têm um papel importante nisso, assim como a direção das cenas e a maneira como algumas sequências são apresentadas. Em determinados momentos, a combinação funciona tão bem que eu simplesmente esqueço que estou jogando e tenho a sensação de estar acompanhando uma cena de um filme da franquia. É um daqueles casos em que a trilha sonora não está apenas acompanhando a ação, mas ajudando a construir a identidade daquele momento.
Infelizmente, essa imersão é quebrada algumas vezes pelos problemas técnicos. Encontrei bugs que chegaram a impedir meu progresso e me fizeram voltar ao checkpoint, além de NPCs que mudavam de aparência no meio das cenas, com cabelo desaparecendo ou roupas sendo alteradas. As animações também apresentam problemas em alguns momentos, tanto fora quanto durante os combates. Em determinadas situações, por exemplo, o inimigo simplesmente é reposicionado para que uma animação de abate possa acontecer. São detalhes que podem parecer pequenos isoladamente, mas que ficam bastante perceptíveis quando o jogo está tentando criar uma apresentação tão cinematográfica.
Uma trama de origem impulsionada pelos seus personagens
O roteiro de 007 First Light foi uma das partes que mais me deixou dividido. Em determinados momentos, a narrativa se perde em detalhes desnecessários e demora para mostrar para onde está caminhando. No entanto, o que segura a firmeza do enredo são os próprios personagens: as atuações são excelentes e dão o peso ideal às relações que este Bond em formação constrói pelo caminho.
Conforme as peças vão se encaixando no terço final, os acontecimentos ganham urgência e o desfecho entrega um dos clímax mais satisfatórios da aventura. First Light brilha de verdade quando amarra sua ação ao amadurecimento do agente, entregando exatamente a atmosfera de grande produção cinematográfica que se espera da franquia.
Vale o seu tempo?
007 First Light não é uma experiência perfeita, principalmente pelos problemas técnicos e por alguns trechos da campanha que poderiam ser mais enxutos, mas entrega exatamente aquilo que eu esperava de uma nova aventura de James Bond: ação, espionagem, personagens marcantes e momentos que realmente parecem ter saído de um filme.
O combate é o grande destaque para mim, mas o que sustenta a experiência é a combinação entre ele, a narrativa e a identidade cinematográfica. Algumas partes podem ser cansativas, mas os capítulos quase sempre conseguem recuperar meu interesse, e o desfecho faz com que a campanha termine em alta. Se você gosta de James Bond, acho difícil não encontrar algo para aproveitar aqui. O jogo cumpre sua proposta, diverte e consegue transformar um personagem tão emblemático da cultura pop em uma experiência que, apesar dos tropeços, vale a pena conhecer.
Prós e Contras
Prós:
- Combate empolgante e variado: A mecânica de esquiva e a resposta das armas garantem confrontos dinâmicos e desafiadores na medida certa.
- Atmosfera cinematográfica autêntica: Direção de cena e trilha sonora impecáveis que capturam perfeitamente a essência de um filme de James Bond.
- Personagens marcantes: Atuações de alto nível e elenco secundário que sustentam o interesse na narrativa de origem.
- Desfecho forte: A reta final amarra com precisão a ação e o enredo, entregando um clímax gratificante.
Contras:
- Barrigas no ritmo da campanha: Sequências focadas em lore se estendem além do necessário e desaceleram o jogo.
- Instabilidades e bugs técnicos: Glitches de iluminação/texturas em NPCs, erros de animação e bugs que exigem recarregar o checkpoint.
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