The Legend of Zelda: Majora's Mask 3D

The Legend of Zelda: Majora's Mask 3D

Developer Grezzo
Publisher Nintendo
Lançamento 12/02/2015
Plataforma do Review PC
Nota do Último Save
9,5

The Legend of Zelda: Majora’s Mask 3D continua sendo uma obra-prima da Nintendo

Lançado originalmente para Nintendo 64 e reimaginado para Nintendo 3DS, The Legend of Zelda: Majora's Mask é um dos jogos mais diferentes de toda a franquia Zelda. Com uma atmosfera sombria, personagens inesquecíveis e um mundo preso em um ciclo de três dias, o jogo transforma uma aventura de fantasia em uma história sobre perda, esperança e o valor do tempo.

The Legend of Zelda: Majora’s Mask 3D é o remake para Nintendo 3DS do clássico lançado originalmente para Nintendo 64 em 2000. Diferente da maioria dos jogos da franquia, a aventura abandona a tradicional luta entre Link e Ganon para levar o jogador ao misterioso mundo de Termina, onde a lua está prestes a colidir com o planeta em apenas três dias. Preso em um ciclo temporal, Link precisa usar máscaras com habilidades únicas, explorar dungeons e ajudar os habitantes da região enquanto tenta impedir o fim do mundo.

Depois de jogar praticamente todos os principais títulos da franquia — de A Link to the Past até Breath of the Wild, passando por Twilight Princess, Skyward Sword, Phantom Hourglass, Spirit Tracks, Link’s Awakening e Ocarina of Time 3D — eu finalmente cheguei àquele que muitos fãs consideram o Zelda mais diferente já produzido pela Nintendo.

Logo nos primeiros minutos fica claro que Majora’s Mask não pretende repetir a estrutura de Ocarina of Time. Embora compartilhe o mesmo motor gráfico e diversos personagens, a experiência segue um caminho completamente diferente. Aqui não existe uma jornada para salvar apenas um reino. Existe um mundo inteiro tentando lidar com a certeza de que, em apenas três dias, tudo pode acabar.

Essa atmosfera é o que mais diferencia Majora’s Mask dos demais jogos da série. A lua ameaçando cair sobre Termina cria uma tensão constante, mas o que realmente torna essa aventura especial é observar como cada personagem reage à aproximação do fim do mundo. Alguns tentam continuar vivendo normalmente, outros se desesperam, alguns preferem ignorar a situação e há quem apenas precise de alguém disposto a ouvir sua história.

Foi justamente isso que mais me marcou durante toda a campanha. Pela primeira vez em um Zelda, tive a sensação de que não estava explorando apenas um mapa cheio de NPCs espalhados pelo cenário. Cada personagem possui uma rotina própria, problemas particulares e um papel importante dentro daquele mundo. Não existe ninguém ali apenas para ocupar espaço.

Um mundo que continua vivendo, mesmo sem você

A grande mecânica de Majora’s Mask gira em torno do ciclo de três dias. Quando o tempo chega ao fim, tudo recomeça. À primeira vista, esse sistema pode parecer limitador, mas bastam algumas horas para perceber que ele é justamente o coração do jogo.

Cada personagem possui horários, compromissos e acontecimentos específicos ao longo dos três dias. Algumas missões só podem ser iniciadas em determinados momentos, enquanto outras dependem de uma sequência de eventos que continua acontecendo mesmo que Link não esteja presente. Em vez de simplesmente explorar o mapa, o jogador passa a entender como a cidade funciona e de que forma suas ações podem interferir na vida de quem vive ali.

O mais interessante é que o jogo raramente entrega todas essas informações de maneira direta. Muitas delas são descobertas conversando com os moradores, observando suas rotinas ou prestando atenção em pequenos detalhes espalhados pelo mundo. Até mesmo as crianças de Clock Town ajudam nessa jornada, oferecendo pistas sobre acontecimentos importantes e incentivando o jogador a investigar por conta própria. Foi graças a esse sistema que consegui descobrir boa parte das side quests sem recorrer a guias. Em vários momentos eu me peguei voltando para determinados lugares em horários diferentes apenas para descobrir o que aconteceria dali em diante.

Essa construção faz com que praticamente todas as side quests pareçam relevantes. Em vez de simples tarefas para aumentar o tempo de jogo, elas contam pequenas histórias que ajudam a desenvolver o mundo de Termina e seus habitantes. Algumas são leves, outras bastante melancólicas, mas quase todas deixam alguma lembrança quando chegam ao fim.

Foi justamente por causa dessa estrutura que eu quase nunca senti necessidade de recorrer a um guia. Conversando com as crianças de Clock Town, prestando atenção nas conversas dos moradores e anotando mentalmente alguns horários importantes, o próprio jogo fornece pistas suficientes para encontrar boa parte das side quests. Nem sempre é fácil, mas existe uma enorme satisfação quando você consegue ligar os acontecimentos por conta própria.

As máscaras dão vida às histórias de Termina

Se o ciclo de três dias é o coração de Majora’s Mask, as máscaras são sua alma.

Muito além de conceder novas habilidades, elas representam as histórias das pessoas que cruzam o caminho de Link. Aos poucos percebi que colecionar máscaras não significava apenas desbloquear novas mecânicas, mas guardar lembranças de cada personagem que ajudei ao longo da aventura. Em vários momentos da aventura, conquistar uma nova máscara significa ajudar alguém a superar uma maldição, cumprir um último desejo ou encontrar algum tipo de paz antes que o mundo termine.

Achei essa abordagem muito mais interessante do que simplesmente desbloquear novos equipamentos. Cada máscara carrega um significado próprio, e isso faz com que elas tenham muito mais personalidade do que os itens tradicionais encontrados em outros jogos da franquia.

Algumas acabam sendo indispensáveis para resolver enigmas ou acessar novas áreas, enquanto outras existem principalmente para aprofundar as histórias dos personagens. Independentemente da função, quase todas deixam a sensação de que existe uma narrativa por trás daquele objeto.

Essa é uma das razões pelas quais Majora’s Mask consegue construir uma atmosfera tão única. O jogo não utiliza suas mecânicas apenas para criar desafios, mas também para reforçar o peso emocional das histórias que está contando.

Dungeons que fazem jus ao nome de Zelda

Apesar de toda a fama construída em torno do ciclo de três dias e das máscaras, Majora’s Mask continua sendo, acima de tudo, um Zelda. Isso significa que explorar novas regiões, resolver puzzles e enfrentar grandes dungeons continua sendo parte essencial da aventura.

Cada uma delas possui uma identidade muito própria, tanto visualmente quanto nas mecânicas que apresenta. Além dos puzzles bem construídos, encontrar todas as Stray Fairies antes do chefe adiciona um desafio extra para quem gosta de explorar cada canto da dungeon, sempre recompensando essa dedicação com melhorias realmente úteis para a campanha.

Em vez de simplesmente repetir fórmulas, o jogo utiliza as transformações de Link e os itens adquiridos durante a campanha para criar desafios que exigem observação e experimentação. Em vários momentos precisei parar, analisar o ambiente e entender exatamente como aquela dungeon havia sido construída antes de conseguir avançar.

Outro aspecto que gostei bastante é que completar uma dungeon raramente representa apenas mais um passo na campanha principal. Existe sempre uma recompensa que vai além do progresso da história, seja pela transformação daquela região, seja pelo impacto que aquela conquista provoca nos personagens que vivem ali. Isso faz com que cada vitória tenha um peso muito maior do que simplesmente derrotar um chefe.

As missões secundárias são tão importantes quanto a campanha principal

Se existe algo que realmente diferencia Majora’s Mask dos demais jogos da franquia, são suas side quests.

Normalmente, em um Zelda, elas servem para oferecer melhorias, recipientes de coração ou algum equipamento opcional. Em Majora’s Mask, elas fazem muito mais do que isso. Cada side quest revela um pouco mais sobre o mundo de Termina e sobre as pessoas que vivem ali.

Ao longo da campanha conheci personagens lidando com arrependimentos, maldições, perdas e despedidas. Em muitos casos, a recompensa pela missão acabou sendo apenas assistir ao desfecho daquela pequena história e, sinceramente, isso já era suficiente. Poucos jogos conseguem fazer com que um simples diálogo ou uma pequena mudança na rotina de um personagem tenham tanto impacto quanto uma nova arma ou um novo equipamento.

Foi justamente durante essas missões que comecei a perceber como cada personagem possui uma rotina própria. Não basta apenas encontrá-lo uma única vez. Dependendo do horário ou do dia, ele estará em outro lugar, conversando com outra pessoa ou enfrentando uma situação completamente diferente. Aos poucos, você deixa de decorar apenas o mapa e começa a entender como aquele mundo funciona.

A side quest de Anju e Kafei foi um dos momentos que mais me marcou durante toda a campanha. Sem entrar em spoilers, acompanhar os acontecimentos ao longo dos três dias e perceber como cada pequena ação interfere na história fez com que eu entendesse por que tanta gente considera essa uma das melhores narrativas já criadas dentro da franquia Zelda.

Em um jogo onde todos acreditam que o mundo está prestes a acabar, ainda existe espaço para esperança, perdão e pequenos gestos de humanidade.

Um Zelda que fala sobre esperança em meio ao desespero

É curioso pensar que Majora’s Mask costuma ser lembrado apenas por sua atmosfera sombria.

De fato, a trilha sonora, a direção de arte e a constante presença da lua criam um clima muito diferente dos demais jogos da franquia. Existe uma sensação permanente de urgência e tristeza acompanhando praticamente toda a campanha.

Mas, depois de terminar o jogo, fiquei com a impressão de que Majora’s Mask não é uma história sobre o fim do mundo. É uma história sobre as pessoas.

Cada morador de Termina reage de maneira diferente diante da mesma ameaça. Alguns entram em desespero, outros tentam continuar suas rotinas normalmente e há aqueles que apenas procuram alguém disposto a ajudá-los antes que seja tarde demais.

Foi justamente isso que tornou a aventura tão especial para mim. Em vez de apenas impedir uma catástrofe, passei boa parte do tempo tentando melhorar os últimos dias daquelas pessoas, mesmo sabendo que o ciclo recomeçaria inúmeras vezes.

Essa construção faz com que o jogador crie um vínculo muito maior com o mundo. Quando finalmente chega o momento de enfrentar a ameaça principal, a motivação já não é apenas impedir a queda da lua. A essa altura, você já conhece aquelas pessoas, entende seus problemas e simplesmente quer que elas tenham a chance de continuar vivendo suas vidas.

Vale o seu tempo?

Majora’s Mask é um daqueles jogos que conseguem envelhecer muito bem justamente porque sua maior qualidade nunca esteve nos gráficos ou na tecnologia disponível na época do lançamento. O que torna essa aventura tão especial é a forma como ela utiliza suas mecânicas para contar histórias e construir um mundo onde praticamente todos os personagens possuem algum propósito.

As dungeons continuam excelentes, as máscaras transformam completamente a forma de explorar Termina e o ciclo de três dias cria uma experiência diferente de qualquer outro Zelda. Mas, para mim, o grande destaque continua sendo a maneira como o jogo trata seus personagens. Poucas aventuras conseguem fazer o jogador se importar tanto com pessoas que, teoricamente, são apenas NPCs.

Se você procura um Zelda focado apenas em exploração e combate, talvez estranhe o ritmo mais cadenciado da aventura. Agora, se estiver disposto a conversar com os moradores, entender suas rotinas e descobrir as histórias escondidas por trás de cada máscara, encontrará aqui uma das experiências mais marcantes de toda a franquia.

Concluir Majora’s Mask não me deixou com vontade de revisitar Termina para encontrar conteúdo que ficou para trás. Me deixou com vontade de revisitar Termina para reencontrar seus personagens. Poucos jogos conseguem transformar NPCs em lembranças, e talvez esse seja o maior legado desta aventura.

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