Ender Magnolia: Bloom in the Mist é um metroidvania que coloca o jogador em um mundo devastado, acompanhando uma protagonista que precisa reconstruir os acontecimentos daquele lugar enquanto avança por suas diferentes regiões. A aventura combina exploração, combate e progressão de habilidades em uma estrutura que recompensa tanto quem quer simplesmente chegar ao final quanto quem gosta de voltar aos locais já visitados para completar o mapa. No PS5 Pro, foi uma experiência que me agradou principalmente pela forma como essas diferentes partes se encaixam sem tornar a jornada excessivamente complicada.
A história não é exatamente o ponto mais forte do jogo no começo. Existe uma quantidade considerável de personagens que perderam suas memórias e estão tentando entender o que aconteceu, e isso pode fazer com que a narrativa pareça um pouco confusa inicialmente. Conforme avanço, porém, esse contexto começa a ganhar mais interesse, principalmente pela maneira como os personagens e seus passados vão sendo apresentados. O jogo também faz uma escolha que gostei bastante: boa parte do lore é opcional e pode ser descoberta ao sentar nos bancos espalhados pelo mundo. Assim, quem gosta de conhecer cada detalhe pode se aprofundar, enquanto quem prefere focar na exploração e no combate não precisa interromper a campanha para acompanhar essas informações.
Exploração e progressão caminham juntas
A progressão de Ender Magnolia funciona muito bem dentro da estrutura de um metroidvania. O caminho principal é relativamente linear, mas existe espaço suficiente para voltar às regiões anteriores e descobrir o que ficou para trás. E fazer esse backtracking é particularmente simples: o próprio mapa ajuda bastante ao mostrar as seções que já foram concluídas, algo que considero muito útil para quem gosta de buscar o 100% sem precisar ficar tentando lembrar quais áreas já foram exploradas.
O jogo também acerta no ritmo da progressão. Novos upgrades e recursos aparecem justamente quando começo a sentir que estou ficando para trás, e os itens disponíveis na loja seguem uma lógica semelhante. A reposição acontece em momentos bem planejados, evitando aquela sensação de que preciso ficar acumulando recursos sem saber quando eles serão realmente úteis. É uma progressão que não tenta dificultar artificialmente minha jornada e, justamente por isso, mantém a exploração agradável durante praticamente toda a campanha.
Um combate que deixa espaço para diferentes estilos
O combate é uma das partes mais completas de Ender Magnolia. O jogo entrega praticamente tudo que espero de um bom metroidvania desse estilo: ataques corpo a corpo, opções à distância, esquiva, parry e ainda diferentes habilidades que podem ser combinadas para criar estilos de jogo distintos. As relíquias ampliam ainda mais essas possibilidades, permitindo montar uma configuração que muda a maneira de enfrentar os inimigos. Na minha experiência, porém, acabei me apegando aos primeiros companheiros que encontrei e consegui utilizá-los praticamente até o final, o que mostra que o jogo oferece variedade sem obrigar o jogador a trocar constantemente de estratégia.
Também gostei bastante do ritmo em que essas possibilidades são liberadas. Os upgrades chegam justamente quando começo a sentir que estou ficando mais fraco, mantendo a progressão em um ponto confortável sem fazer a evolução parecer artificial. E, mesmo tendo achado Ender Magnolia bastante fácil, especialmente depois de Nine Sols, os combates continuam divertidos porque existe espaço para melhorar a execução e experimentar diferentes combinações. Comparado a Ender Lilies, a diferença de dificuldade é bastante evidente para mim, mas isso não diminui a qualidade do sistema de combate de Magnolia.
Uma identidade construída entre música e estética steampunk
A direção de arte é outro ponto que me chamou bastante atenção. O mundo de Ender Magnolia consegue representar muito bem sua estética steampunk, criando cenários que possuem personalidade própria e combinam com a atmosfera da aventura. É uma identidade visual que ajuda a diferenciar o jogo de seu antecessor, assim como acontece com a própria temática da história.
A trilha sonora também merece destaque. Existem faixas instrumentais e músicas cantadas, e gostei principalmente de como elas acompanham o avanço pela campanha sem parecerem simplesmente uma coleção de músicas bonitas. A trilha ajuda a estabelecer o clima de cada momento e contribui para que determinadas regiões permaneçam na memória depois que já deixei aquele lugar para trás.
Ender Magnolia e a comparação inevitável com Ender Lilies
Por ter jogado Ender Lilies antes, foi impossível não comparar as duas experiências. Ender Magnolia mantém uma base bastante familiar, mas segue por uma direção própria, principalmente na temática e na identidade do mundo. E, para mim, essa diferença acabou funcionando bem, porque a atmosfera de Magnolia conversa mais com o que eu gosto. O sistema de combate também oferece bastante liberdade para experimentar diferentes combinações, mesmo que eu tenha conseguido terminar a campanha praticamente utilizando os primeiros companheiros que encontrei.
A principal diferença entre os dois jogos, na minha experiência, está na dificuldade. Ender Lilies é consideravelmente mais difícil, enquanto Ender Magnolia me pareceu extremamente acessível. Depois de ter jogado Nine Sols, eu também já estava muito mais acostumado a observar padrões e reagir aos ataques dos inimigos, o que provavelmente contribuiu para essa percepção. Ainda assim, Magnolia não deixa de ser uma experiência muito agradável, e até quem já conhece Lilies encontrará motivos para explorar esse novo mundo. E existe ainda um pequeno easter egg relacionado ao primeiro jogo escondido na aventura. Será que você consegue encontrá-lo?
Vale o seu tempo?
Sim. Ender Magnolia não depende de uma história excepcional para funcionar. O que me fez gostar da experiência foi o conjunto: uma exploração bem construída, backtracking simples, um mapa que ajuda bastante quem busca completar tudo e um combate que oferece liberdade suficiente para experimentar diferentes estilos. É um jogo que consegue manter seu ritmo sem transformar a progressão em uma tarefa cansativa.
Para quem gosta de metroidvanias, acho que Ender Magnolia merece atenção. Ele é mais fácil do que Ender Lilies, mas isso não significa que seja uma experiência menos interessante. Na minha opinião, ele consegue pegar uma fórmula que já funcionava e refiná-la em vários aspectos, criando uma aventura própria e com uma identidade visual e sonora muito interessante. É uma experiência que me divertiu do começo ao fim e conseguiu entregar exatamente o tipo de exploração que eu esperava de um bom metroidvania.
Prós e Contras
Prós
- Excelente progressão e backtracking
- Mapa muito útil para quem busca 100%
- Combate variado e com bastante liberdade de builds
- Upgrades e itens bem distribuídos durante a campanha
- Ótima trilha sonora
- Direção de arte com forte identidade steampunk
- Lore opcional bem integrado à exploração
Contras
- História começa um pouco confusa
- Dificuldade bastante baixa, especialmente para quem já tem experiência com o gênero
- Alguns personagens poderiam ter um impacto maior na jornada
